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Preservação da Fertilidade após Radioterapia/Quimioterapia

Frequentemente mulheres jovens, em idade reprodutiva e sem família constituída são surpreendidas com diagnósticos de Linfomas ou Leucemias, Câncer de Intestino, Útero, Vagina ou Mama, Lupus Eritematoso Sistêmico, entre outros. Os tratamentos para essas doenças geralmente incluem radioterapia e/ ou quimioterapia. Regimes de altas doses de quimio e radioterapia têm aumentado significativamente a sobrevida de mulheres jovens com câncer, porém consequências como a infertilidade ou menopausa precoce são comuns devido a destruição do tecido ovariano. A permanência da função ovariana após o tratamento, no entanto, não significa que o ovário não foi lesado. Algumas medidas podem ser tomadas para evitar ou diminuir os efeitos da quimioterapia e radioterapia sobre os ovários para oferecer a oportunidade dessas mulheres terem filhos após a cura ou remissão da doença. Para que isso seja possível, o elemento principal é o planejamento prévio com o seu médico.
Quais são as medidas que podem ser tomadas?
• Deslocamento cirúrgico dos ovários: Qualquer procedimento com o intuito de preservar a fertilidade deve ser realizado antes de iniciar o tratamento com a radioterapia ou quimioterapia. Quando o tratamento indicado é a radioterapia local, com a área de irradiação incluindo a região mais baixa do abdome, a pelve, os ovários podem ser mudados de posição, para serem menos atingidos pela radiação. Os ovários são deslocados para fora da área de irradiação, geralmente presos ao peritônio (parede interna do abdome), mais lateralmente e superiormente. Esse procedimento pode ser realizado através de uma cirurgia laparoscópica ou cirurgia convencional, quando fizer parte do tratamento inicial. Com o uso desse recurso, a literatura científica relata uma preservação da função ovariana em torno de 80% das vezes em mulheres abaixo de 40 anos. Essa técnica não é eficiente quando for necessária a radioterapia total ou a quimioterapia, porque a quimioterapia tem efeito sistêmico (age em todo o corpo, não importando a localização dos órgãos). Para esses casos são oferecidas as opções de criopreservação de óvulos, criopreservação de embriões ou criopreservação de tecido ovariano.
• Criopreservação de óvulos: Uma alternativa para a preservação da fertilidade é submeter a paciente a um estímulo hormonal controlado, colher os óvulos através de punção aspirativa via vaginal e criopreservá-los. A criopreservação de óvulos ainda apresenta resultados aquém dos esperados, por ocorrer perda dos óvulos, principalmente no processo de descongelamento. Porém o aperfeiçoamento dessa técnica vem ocorrendo ao longo dos últimos anos, já existindo na literatura crianças nascidas desse processo. O congelamento de óvulos poderá ser realizado se o estímulo ovariano hormonal e a colheita de óvulos não retardar significativamente o início da quimio e/ ou da radioterapia.
• Criopreservação de embriões: A técnica de criopreservação de embriões é conhecida de longa data e apresenta bons resultados comparado às outras opções. De acordo com dados do CDC do ano de 2000, a taxa de sucesso por transferência é de 20%. Essa alternativa é a mais recomendada para mulheres que já possuem seu parceiro. Um fator limitante dessa técnica, assim como para a criopreservação de óvulos, é o tempo necessário para a realização do estímulo ovariano hormonal e a colheita dos óvulos. Logo após, a fertilização "in vitro" é realizada com o sêmen do companheiro e os pré-embriões resultantes são avaliados e criopreservados. Esse procedimento poderá ser realizado se não retardar significativamente o início da quimio e/ ou radioterapia.
• Criopreservação de tecido ovariano: É o congelamento de uma parte do ovário (o córtex) com o intuito de preservar esse tecido com vitalidade até que possa ser utilizado no futuro. A porção do ovário que será congelada possui óvulos ainda imaturos e o objetivo desse procedimento é fazer futuramente a maturação desses óvulos imaturos "in vitro" até que atinjam a fase madura e possibilitem a fertilização, ou reimplantar os fragmentos do ovário na paciente (geralmente na pelve) para que haja a possibilidade de retomada da função hormonal e reprodutiva. As duas propostas estão em fase experimental. Até o momento não existem relatos de gravidezes provenientes desse processo em humanos. A retirada do tecido ovariano é realizada através de um procedimento cirúrgico que pode ser a cirurgia convencional ou laparoscópica. Na maioria das vezes a via laparoscópica é recomendada por ser menos invasiva e permitir uma recuperação mais rápida. Após a retirada, o fragmento ovariano é analisado e congelado em nitrogênio líquido para preservação. Acredita-se que esse procedimento poderá trazer benefícios às mulheres pré-púberes que necessitem de quimioterapia, além de mulheres que não possuem companheiro para que possa ser feita a criopreservação de embriões. Procure informações com seu médico a respeito da possibilidade de utilização de alguma dessas técnicas para o seu caso antes do início do seu tratamento. O Especialista em Reprodução Humana atuará em conjunto com o seu médico para ajudá-la a analisar as alternativas e optar pelo melhor método.