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Espermograma

Um dos exames laboratoriais mais utilizados para avaliar o sêmen é o espermograma, que deve ser realizado de maneira cuidadosa, por fornecer informações importantes sobre a espermatogênese (formação dos espermatozóides), função de glândulas acessórias (próstata e vesículas seminais) e a permeabilidade do trato reprodutivo (fechamento ou não dos canais que conduzem os espermatozóides até a uretra). Após a coleta da história e realização do exame físico, o espermograma é a primeira fonte de informação para o médico. Tradicionalmente, o diagnóstico de infertilidade masculina depende parâmetros do ejaculado, com ênfase na concentração (quantidade), motilidade (movimentação) e morfologia (forma) dos espermatozóides. Acreditava-se que a análise seminal era o melhor teste para avaliar a capacidade fértil do homem; entretanto, pesquisas mostram que mais de 80% dos homens com infertilidade possuem número de espermatozóides normais. Desta forma, o espermograma não é, e não pode ser utilizado como um teste para prever a fertilidade. A avaliação de fertilidade é um fenômeno complexo e multifatorial que envolve a avaliação do casal. Por razões de padronização e para que os resultados obtidos em locais diferentes sejam comparáveis e confiáveis, os testes que envolvem sêmen devem ser realizados de acordo com diretrizes, como, por exemplo, as estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde. De acordo com a OMS, são considerados anormais os seguintes valores do espermograma (análise seminal): volume do ejaculado inferior a 2,0ml; concentração de espermatozóides inferior a 20 x 106 por ml; número total de espermatozóides inferior a 40 milhões; motilidade dos espermatozóides inferior a 50 por cento das células com progressão linear e grau de qualidade inferior a 2 (escala de 0 a 4) ou a+b (a, b, c, d); sendo: grau A - espermatozóides com motilidade direcional rápida; grau B - espermatozóides com motilidade direcional lenta; grau C - espermatozóides móveis não direcionais e grau D - espermatozóides imóveis. Considera-se normal um sêmen com pelo menos 50% de formas móveis (graus A+B). A morfologia pelo critério da OMS é considerada normal quando pelo menos 30% dos espermatozóides tem formas ovais normais. A avaliação da morfologia requer mais habilidade e experiência do que a avaliação da densidade e da motilidade dos espermatozóides. Conforme estabelecido pela OMS, a morfologia espermática pode ser classificada como normal (oval), amorfa (grande e pequena, algumas imperfeições), afilada, duplicada e imatura. Este critério abre espaço para uma gama de classificações utilizadas por diversas instituições. A introdução do critério estrito de Kruger e o estabelecimento de um ponto de corte de 14% para morfologia normal correlaciona-se com sucesso em ciclos de fertilização in vitro (FIV). Comprova-se a importância da morfologia quando se avalia estudo recente, o qual demonstrou que dentre as três características seminais mais importantes do sêmen (concentração, motilidade e morfologia) a morfologia de Kruger é a mais importante para predizer fertilidade.
Teste do edema hiposmótico (HOS)
O teste do edema hiposmótico é um teste de vitalidade espermática. O objetivo deste teste é avaliar a capacidade dos espermatozóides de sofrerem edema na cauda quando colocados em uma solução hiposmótica. Além disso, é importante quando o paciente apresenta ausência de motilidade espermática e está sendo submetido ao ICSI porque devemos diferenciar entre o espermatozóide com ausência de motilidade e o espermatozóide morto. Avaliação dos leucócitos no sêmen Estima-se que até 20% dos exames realizados nos laboratórios apresentam leucospermia (presença de glóbulos brancos). Para o diagnóstico correto de infecção seminal, é necessária a realização de um teste específico para identificar leucócitos. Um dos parâmetros tradicionais mais relacionados com a leucospermia é a diminuição da motilidade dos espermatozóides.
Anticorpos anti-espermatozóides
O sistema imune é uma rede complexa de células e produtos celulares para defender contra os microorganismos e corpo estranho. Quando a formação de anticorpos ocorre, o espermatozóide pode não conseguir penetrar no muco cervical ou ocorre diminuição da motilidade durante o transporte dos espermatozóides em mulheres sensibilizadas. Os espermatozóides cobertos com tais anticorpos podem falhar tanto na migração pelo colo de útero, como em atingir o local da fertilização e ou em fertilizar o oócito. Acredita-se que patologias alteram as barreiras que evitam o contato do espermatozóide com o sistema imune pode resultar na formação de anticorpos anti-espermatozóides. Traumatismo no escroto, torção de testículo, obstrução do trato seminal, varicocele e infecção do sêmen podem deflagar o mecanismo de formação dos anticorpos anti-espermatozóides.
Testes de função espermática
Experiências clínicas revelaram que não é exatamente o número absoluto de espermatozóides que prediz o prognóstico de fertilidade, mas a sua capacidade funcional. O desenvolvimento de um teste com grande poder para predizer a fertilização pelos espermatozóides é o objetivo primordial de qualquer laboratório de pesquisa em andrologia. Apenas as provas de função espermática - como reação acrossômica, receptores de manose na superfície dos espermatozóides, interação espermatozóide-muco cervical, testes da penetração espermática e hemizona, níveis de Creatina Quinase (CK), Espécies Reativas de Oxigênio (ERO), Capacidade Antioxidante Total (CATS) e Peroxidação Lipídica (LPO) - podem dar informações referentes à probabilidade de esse homem vir a engravidar a sua parceira. Alguns destes testes, como a aferição das Espécies Reativas de Oxigênio estão sendo rotineiramente realizados por alguns laboratórios americanos nos pacientes com queixas de infertilidade. Estes testes podem auxiliar na indicação de cirurgias para infertilidade masculina, até ajudar a escolher a técnica mais apropriada para reprodução assistida, com uma boa relação custo-benefício. Infelizmente, muitos destes testes são realizados apenas em laboratórios americanos ou de pesquisa e não estão disponíveis para a prática clínica diária. Estas informações são apenas para informação geral a respeito do procedimento para leigos e não podem ser consideradas como uma consulta médica. Só o seu médico pode indicar o tratamento de escolha para seu caso específico.