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Dúvidas

O que causa a infertilidade feminina?

Problemas com a ovulação são a causa mais comum de infertilidade feminina. Sem a ovulação os ovos não estarão disponíveis para a fertilização. Sinais de problemas com a ovulação incluem ciclos menstruais irregulares ou falta de menstruação. Simples fatores de estilo de vida - incluindo estresse, dieta ou treinamento esportivo - podem afetar o equilíbrio hormonal da mulher. Mas raramente o desequilíbrio hormonal pode ser causado por condição médica grave, como o tumor na glândula pituitária que pode ocasionar problemas na ovulação.

Idade é um fator importante na infertilidade feminina. A capacidade do ovário produzir ovos declina com a idade, especialmente depois dos 35 anos. Em torno de 1/3 dos casais onde a mulher tem mais de 35 anos experimenta problemas de fertilidade. Quando a mulher atinge a menopausa ela não mais poderá produzir ovos ou ficar grávida.

Outros problemas também podem causar a infertilidade feminina. Se os tubos de falópio estão bloqueados o ovo não pode viajar até o útero. Tubos bloqueados podem ser resultado de doença inflamatória na pélvis, endometriose ou cirurgia de uma gravidez ectópica.

Ligadura tubária: reversão ou FIV?

Apesar de uma vasta gama de opções de métodos contraceptivos disponíveis, a ligadura tubária permanece sendo um método amplamente utilizado. Entretanto, estima-se que até 15% das pacientes que realizam esse procedimento acabam por se arrepender da decisão. A literatura cita o desejo de ter um filho com um novo parceiro como o pedido mais comum de reversão da ligadura tubária.
Para as mulheres que desejam uma gestação após a ligadura tubária, existem duas opções de tratamento: a reanastomose tubária por microcirurgia e a Fertilização In Vitro (FIV). A escolha do tratamento depende de fatores como a técnica cirúrgica utilizada na ligadura, a idade da mulher, o número de filhos desejados, bem como outros fatores de subfertilidade que possam estar envolvidos.
Para realização da reversão de ligadura tubária, o comprimento da trompa residual e o local onde foi feita a ligadura são determinantes no sucesso do procedimento. Portanto, antes de optarmos pela reversão, é fundamental a avaliação destes fatores por meio de uma laparoscopia que pode ser realizada previamente (para nos certificarmos da possibilidade da realização da reversão), ou no próprio momento da reversão (estando ciente de que esta poderá não ser factível). A reversão da ligadura pode ser feita por meio da laparotomia, com auxílio de microscópio cirúrgico ou da videolaparoscopia, sendo esta última a via preferencial.
Para as pacientes com idade superior a 35 anos ou com perda prematura da reserva ovariana, o tratamento indicado é a FIV. O tempo necessário para a avaliação do sucesso ou não de uma reversão de ligadura tubária é de seis meses a um ano após a cirurgia, tempo este valioso para as pacientes com este perfil. A FIV também é a melhor escolha para os casais em que se observa, na história clínica ou nos exames iniciais, algum outro fator potencial de subfertilidade, já que através dela podemos corrigir também estes fatores.
A chance de gestação por ciclo pela técnica de FIV com ICSI (injeção intra-citoplasmática de espermatozóide) é em torno de 30% a 35%, dependendo principalmente da idade da paciente, sendo que a taxa cumulativa ultrapassa os 70%. A taxa de gravidez cumulativa observada com a microcirurgia tubária, frente às condições ideais (idade < 35 anos, permeabilidade tubária bilateral após a reversão, ausência de aderências identificadas na cirurgia, entre outras), gira em torno de 60% (considerando de seis meses a um ano de tentativa de gestação após a cirurgia). 
Cabe salientar que a indicação do tratamento deve ser individualizada a cada casal, avaliando-se as condições médicas, emocionais, financeiras, religiosas que apresenta, com o intuito de tornar o desejo de ter um filho uma realidade.

Síndrome do Ovário Policístico

A Síndrome do Ovário Policístico é um conjunto de sintomas provocado pela formação de microcistos no ovário. Em geral, surgem mais de dez cistos (com 6 a 10 mm cada), que ficam distribuídos perifericamente na superfície do ovário. O acúmulo de microcistos pode causar o aumento médio de 2,8 vezes o tamanho normal do ovário. Embora frequentemente nas mulheres, apenas 6% a 10% delas apresentam alterações endócrinas por causa do problema. A maior parte dos casos aparece na adolescência, acompanhando a mulher durante a vida, e tende a se normalizar após os 35 anos.
Entre os sintomas da doença, estão: irregularidade menstrual, problemas na pele, queda de cabelo e aumento de peso. Uma das concequências da síndrome é a diminuição da fertilidade devido à dificuldade de ovulação. Entre as mulheres que apresentam os sintomas da síndrome de ovário policístico, apenas 25% engravidam espontaneamente. O tratamento para induzir à ovulação é simples; portanto, na maioria  das vezes, a infertilidade é facilmente revertida.

Endometriose

A endomatriose é uma doença ginecológica que acomete mulheres em idade reprodutiva e consiste na presença de endométrio, camada interna do útero que é renovada mensalmente pela menstruação, em locais fora do útero.
Os principais sintomas da doença são: dor e infertilidade. Aproximadamente 20% das mulheres acometidas pela endometriose têm somente dor, 60% têm dor e infertilidade e 20% exclusivamente infertilidade. A dor da endometriose pode ser: cólica menstrual intensa, dor abdominal durante a relação sexual, alterações intestinais como diarréia na época das menstruações, ou uma mistura destes sintomas.
De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose, esta doença está presente em até 10% das mulheres em idade reprodutiva e pode chegar a acometer até 33% das mulheres com infertilidade. O diagnóstico de suspeita da endometriose é feito através da história clínica e exame físico (toque vaginal). Após estes dois procedimentos, a ecografia endovaginal especializada e exames de laboratório podem orientar quais mulheres deverão se submeter a laparoscopia.
A laparoscopia é o único exame que pode diagnosticar com certeza se há ou não endometriose. Além de ser um método diagnóstico, é também um dos tratamentos. O tratamento da endometriose é realizado de acordo com o sintoma da mulher - dor e/ou infertilidade - e varia, indo desde medicações que interrompem a menstruação, cirurgia, até a fertilização in vitro.

 

 



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